Negociações no Paquistão tentam selar trégua após choques militares e econômicos
Estados Unidos e Irã sentam-se hoje à mesa em Islamabad, no Paquistão, para a primeira rodada formal de paz, enquanto contabilizam cifras bilionárias e o vácuo político deixado pela morte do aiatolá Ali Khamenei, segundo transmissão da Globo.
- Em resumo: mais de 1.165 militares iranianos morreram e os EUA gastaram US$ 16,5 bi em doze dias.
Baixas militares expõem custo humano do conflito
Os bombardeios liderados por Washington e Tel Aviv atingiram 2 mil alvos iranianos, devastando 80% da defesa aérea de Teerã, de acordo com números confirmados pelo Pentágono e repercutidos pela agência Reuters. Do lado norte-americano, 13 soldados morreram e mais de 300 ficaram feridos, sem comprometer, porém, a capacidade operacional.
“Há degradação das capacidades do Irã, mas a retaliação permanece elevada”, analisa Ronaldo Carmona, professor da Escola Superior de Guerra.
Economia sangra e pressiona reconstrução de US$ 600 bi
Para além do front, o choque atinge a carteira. Os EUA já queimaram o equivalente a R$ 82,5 bi em munição de alta precisão, enquanto o FMI projeta que Teerã precisará de 15 anos e cerca de US$ 600 bi para reconstruir usinas e infraestrutura críticas. A perspectiva de bloqueio intermitente no Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do petróleo mundial — manteve o barril acima de US$ 115 nas últimas semanas, ampliando o risco de inflação global.
Vácuo político em Teerã e desgaste de Trump em Washington
A morte de Ali Khamenei, líder supremo há quatro décadas, criou uma sucessão improvisada: seu filho Mojtaba foi alçado, mas permanece invisível após ter sido “fortemente atingido” segundo Donald Trump. Analistas apontam que a incerteza interna pode reforçar a ala mais dura do regime.
Nos EUA, a pesquisa Gallup de março registrou a menor aprovação de Trump desde o início do segundo mandato, acendendo alertas no Partido Republicano. Críticas públicas de figuras como Marjorie Taylor Greene e Megyn Kelly ampliam a pressão para que o presidente apresente um plano de saída honroso.
Estratégia: Ormuz como trunfo e objetivo nuclear não cumprido
A capacidade iraniana de retaliar a partir de bases subterrâneas e o controle geográfico do estreito conferem a Teerã um ativo geopolítico que sobreviveu aos ataques. Já Washington não alcançou a meta de desmontar o programa nuclear iraniano, que continua ativo e sob supervisão limitada da AIEA.
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Crédito da imagem: Divulgação / Guarda Revolucionária do Irã