Ferramenta une questionário digital e biomarcador que triplica a sensibilidade do teste tradicional
USP – Pesquisadores brasileiros validaram recentemente um protocolo que cruza um simples exame de sangue com inteligência artificial para rastrear hanseníase em sua fase silenciosa, quando tratamentos são mais eficazes e as sequelas podem ser evitadas.
- Em resumo: a combinação IA + biomarcador Mce1A identificou 100% dos casos suspeitos avaliados.
Como a tecnologia aumenta a chance de acerto
O método alia o questionário clínico QSH, refinado pelo algoritmo MaLeSQs, a um teste sorológico capaz de detectar três classes de anticorpos (IgA, IgM, IgG) contra a proteína Mce1A, superando a limitação do exame anti-PGL-I. Segundo os autores, essa leitura mais ampla antecipou o diagnóstico de 12 participantes que não exibiam sinais clássicos, cenário que endossa a urgência apontada pela CNN Brasil para atualizar políticas de detecção precoce.
“Diferentemente do teste tradicional, o novo painel sorológico flagra exposição, infecção ativa e contato prévio, abrindo caminho para intervenções antes das lesões”, destaca o biomédico Filipe Lima.
O impacto para o SUS e para o mapa da doença
O Brasil responde por 90% dos registros de hanseníase nas Américas; ainda assim, a rede básica carece de exames sensíveis. Como o custo do anti-Mce1A é praticamente o mesmo do teste atual, especialistas avaliam que a implantação no SUS pode ocorrer sem sobrecarregar os laboratórios — que já dominam a técnica de ELISA empregada. Além disso, o georreferenciamento do estudo revelou dispersão homogênea dos casos em Ribeirão Preto, sinal de que a doença se afastou de estigmas regionais e socioeconômicos.
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Crédito da imagem: Divulgação / USP