Mobilização histórica encerra semana de protestos e deixa governo sob lupa
Acampamento Terra Livre — maior encontro indígena do país — encerrou-se em Brasília, reunindo recentemente cerca de 7 mil lideranças de todas as regiões para exigir que o Palácio do Planalto acelere a homologação de territórios tradicionais.
- Em resumo: carta final do evento pede urgência total na assinatura de demarcações pendentes.
Pressão direta sobre o Palácio do Planalto
Durante a cerimônia de encerramento, representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) entregaram manifesto ao Ministério da Justiça exigindo a publicação de portarias declaratórias ainda em 2024. Segundo levantamento citado pelo G1, mais de 240 processos seguem estacionados, alguns há mais de duas décadas.
“Queremos a demarcação de todos os territórios que ainda aguardam na mesa do Governo”, cobraram os organizadores no documento final do acampamento.
Demarcações: entraves antigos, impactos atuais
Embora o governo Lula tenha retomado publicamente a pauta — sete áreas foram homologadas em 2023, após um hiato de cinco anos — especialistas lembram que o ritmo é insuficiente frente às demandas acumuladas desde 1988. Sem proteção jurídica, líderes alertam para o aumento de conflitos agrários e avanço recorde do desmatamento em Terras Indígenas não regularizadas.
O Acampamento Terra Livre ocorre anualmente desde 2004 e, além de pressionar o Executivo, busca conscientizar a sociedade sobre a importância das terras ancestrais para a conservação da Amazônia, do Cerrado e de outros biomas. Estudo recente do Instituto Socioambiental aponta que áreas oficialmente demarcadas registram índices de desmatamento até três vezes menores do que regiões vizinhas, reforçando o papel estratégico das comunidades na mitigação da crise climática.
O que você acha? A pressão dos povos originários surtirá efeito nas próximas semanas? Para mais análises sobre o tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Apib