Declaração inédita expõe tensão do acordo militar entre Pyongyang e Moscou
Kim Jong-un afirmou, em cerimônia recente, que parte dos 14 mil soldados enviados pela Coreia do Norte à linha de frente russa na Ucrânia cometeu suicídio para não ser capturado, classificando o ato como “prova máxima de lealdade”.
- Em resumo: líder norte-coreano chama de “heróis” os militares que, segundo ele, detonaram granadas contra si para evitar interrogatório.
‘Morte honrosa’ vira elogio oficial
Durante a inauguração do Museu Memorial dos Feitos de Combate em Pyongyang, Kim elogiou publicamente não só quem caiu em batalha, mas “aqueles que escolheram o caminho da autodestruição”. A fala ratifica suspeitas de analistas ocidentais de que Pyongyang orienta suas tropas a jamais se render. Conforme apontou a Reuters, agências de inteligência de Seul e Kiev estimam mais de 6 mil baixas norte-coreanas na região de Kursk.
“Não serão esquecidos os compatriotas que protegeram a honra nacional, selando seu destino com a própria vida”, declarou Kim no evento, segundo a KCNA.
Ajuda russa em troca de soldados e munição
Especialistas lembram que o alinhamento entre Pyongyang e Moscou cresceu após o isolamento internacional imposto pela guerra. Relatórios do Ministério da Defesa sul-coreano apontam que a Coreia do Norte enviou, nos últimos meses, cientos de milhares de projéteis de artilharia em troca de combustível e peças para mísseis balísticos. Esse fluxo reforça a capacidade de Kim de driblar sanções impostas pela ONU desde 2006.
O discurso também serve de aviso interno: ao glorificar o suicídio em campo, o regime desencoraja deserções e controla a narrativa sobre o alto número de fatalidades. Observadores do Instituto para Estudos de Segurança Asiática destacam que a revelação pode pressionar familiares dos combatentes, cujos corpos dificilmente retornam para funerais tradicionais.
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Crédito da imagem: KCNA via Reuters