Discussão na Comissão expõe tensões ideológicas e legado de Olavo
Erika Hilton – deputada federal pelo PSOL-SP – protagonizou um embate acalorado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher que levou Rosana Valle (PL-SP) a ameaçar recorrer à Lei Maria da Penha caso fosse fisicamente confrontada, gerando repercussão imediata em Brasília.
- Em resumo: Rosana Valle disse que chamaria a polícia “se encostar em mim”, enquanto parlamentares citavam o ideólogo Olavo de Carvalho.
A ameaça que incendiu o plenário
O clima esquentou quando Valle, ex-jornalista e defensora de pautas conservadoras, alertou que se sentiria “violentada” caso Hilton se aproximasse. A declaração, feita diante das câmeras oficiais, expôs a tensão entre alas progressista e conservadora da Câmara. Diferentes deputados relembraram o peso que o pensamento olavista ainda exerce sobre parte da base governista, revelando uma polarização que, segundo reportagem da BBC News, ganhou força no mandato de Jair Bolsonaro.
“Se me encostar, aciono a Lei Maria da Penha imediatamente”, disparou Rosana Valle, interrompendo a fala de Erika Hilton.
Legado olavista ainda pauta o Congresso
Embora Olavo de Carvalho tenha falecido em 2022, suas ideias continuam mobilizando parlamentares conservadores. Ele defendia o enfrentamento direto a adversários políticos, estratégia que se reflete em sessões como a desta semana. Hilton, primeira deputada federal trans do país, rebateu o tom hostil lembrando que o regimento da Casa prevê sanções para quem usa ameaças veladas, reforçando a urgência de protocolos de respeito mútuo.
A Comissão pretende votar, nas próximas semanas, um relatório sobre violência política de gênero, tema que ganhou novo peso após o episódio. Especialistas apontam que a aplicação da Lei Maria da Penha em ambiente parlamentar ainda carece de jurisprudência clara, mas a simples menção da norma demonstra como o debate sobre proteção às mulheres extrapola o âmbito doméstico e alcança a arena institucional.
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Crédito da imagem: Divulgação / O Antagonista