Manuscrito do ‘Evangelho de Judas’ desafia visão tradicional

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Descoberta arqueológica reinterpreta o papel do apóstolo mais controverso

Evangelho de Judas – Localizado em um sítio próximo a El Minya, no deserto egípcio, o manuscrito do século III volta a ganhar fôlego no debate acadêmico por apresentar Judas Iscariotes não como traidor, mas como peça central no plano de salvação.

  • Em resumo: texto copta afirma que Judas agiu a pedido de Jesus para libertar seu “eu espiritual”.

O que o texto realmente diz

Redigido em copta e publicado pela primeira vez em 2006, o documento narra diálogos privados nos quais Jesus revela a Judas que seu sacrifício físico é necessário para “romper as correntes” do corpo. Segundo transcrições validadas por especialistas e repercutidas pela BBC News, o apóstolo recebe instruções diretas para entregá-lo às autoridades.

“Tu sacrificarás o homem que me veste”, diz uma passagem, indicando que apenas a casca corporal de Jesus seria afetada pela crucificação, não sua essência divina.

Contexto histórico e impacto teológico

O códice, parte de uma biblioteca gnóstica maior, foi provavelmente escondido para escapar de perseguições no Egito romano. Diferente dos evangelhos canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João, o texto de Judas adota visão gnóstica, que valoriza conhecimento secreto (gnosis) para a salvação. A publicação levou o Vaticano a reiterar, em 2006, que se trata de obra apócrifa sem valor doutrinário, mas pesquisadores a veem como janela para correntes cristãs suprimidas no século IV.

O achado também ressuscitou o debate sobre como a figura de Judas influenciou estereótipos antijudaicos ao longo da história. A nova narrativa, que o coloca como colaborador voluntário, abre espaço para revisões na arte, no cinema e até em liturgias contemporâneas.

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Crédito da imagem: Divulgação / O Antagonista

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