Dois desastres em 14 meses expõem fragilidades na aviação regional
Rio Grande do Sul – Um avião de pequeno porte caiu no litoral gaúcho deixando quatro mortos, pouco mais de um ano após o acidente em Gramado que vitimou 10 pessoas. A repetição de tragédias em curto intervalo pressiona autoridades e operadores a revisar protocolos de segurança para voos executivos no estado.
- Em resumo: novo acidente eleva para 14 o número de vítimas fatais em desastres aéreos regionais desde 2023.
Cronologia recente de acidentes no estado
Em 28 de março de 2023, um bimotor caiu numa área de mata em Gramado, matando todos os 10 ocupantes. Agora, na última segunda-feira, outra aeronave decolou de Torres e caiu minutos depois, provocando quatro óbitos. De acordo com levantamento do GZH, esses eventos rompem um período de quase oito anos sem grandes acidentes fatais no estado.
“O curto espaço de tempo entre os dois episódios será considerado na avaliação de padrões operacionais e meteorológicos”, informou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Segurança de voos executivos em pauta
Dados do Cenipa indicam que aeronaves particulares concentram 76 % dos acidentes fatais no país. Especialistas apontam três fatores críticos: pressão para cumprir horários, voos sob condições climáticas adversas e manutenção fora de centros homologados. Depois da tragédia em Gramado, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reforçou inspeções, mas o novo acidente evidencia que brechas persistem.
Além disso, aeroportos regionais do RS, como Canela e Torres, ainda aguardam verbas federais prometidas para balizamento noturno e melhorias de pista. Sem infraestrutura adequada, pilotos ficam mais dependentes de recursos próprios de navegação, aumentando o risco em decolagens de curta distância.
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Crédito da imagem: Divulgação / Cenipa