Investigações expõem rede de fundos e offshores ligada ao banco em crise
Banco Master surge novamente no centro de uma investigação de alto impacto: a Polícia Federal apontou Benjamim Botelho de Almeida como operador financeiro que teria articulado transações suspeitas desde 2019, potencializando o rombo que ameaça investidores institucionais.
- Em resumo: Gestor controla 102 fundos e quase metade do capital circula dentro do ecossistema Master.
Como funcionava a “engrenagem” bilionária
De acordo com a PF, fundos administrados pela Sefer Investimentos, empresa de Botelho, compravam ativos de liquidez duvidosa, elevavam artificialmente os preços e revendiam às companhias ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. O modelo lembra esquemas apontados em outros escândalos bancários, como o do PanAmericano em 2010, e reforça o alerta regulatório sobre bancos médios no Brasil, segundo análise da agência Reuters.
“A dinâmica gerava ganhos recorrentes aos controladores e perdas diretas a fundos de pensão e investidores minoritários”, descreve trecho do relatório da Operação Compliance Zero.
Conexões internacionais ampliam o alcance do caso
Botelho transferiu residência para Portugal e mantém empresas em Ilhas Cayman, Delaware e Suíça, rotas clássicas de planejamento tributário que, usadas sem transparência, podem ocultar fluxos ilícitos. Esse arranjo internacional lembra práticas que levaram bancos como o suíço Credit Suisse a acordos bilionários com autoridades norte-americanas nos últimos anos.
Além das offshores, chama atenção o episódio de Aracaju: um terreno sem projeto concluído foi revendido por valores inflados, gerando perdas milionárias para fundos de pensão municipais. Para especialistas, a operação evidencia falhas nos filtros de governança que, desde a crise da Lava Jato, o Banco Central tenta reforçar com regras de “conheça seu cliente”.
Outro ponto crítico é a transação de R$ 500 milhões entre a holding Titan e a Fictor, que entrou em recuperação judicial logo depois. Documentos mostram a Sefer listada como credora — mas a dívida real pertenceria à Titan, mantendo Vorcaro com influência sobre o processo.
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Crédito da imagem: Divulgação / TV Globo