Kremlin tenta ocupar vazio diplomático após 21 horas de negociações sem acordo
Vladimir Putin afirmou, em ligação neste domingo (12), que Moscou está disposta a intervir para destravar o impasse entre Irã e Estados Unidos, cujo diálogo em Islamabad terminou sem consenso e manteve a tensão no Golfo.
- Em resumo: após 21 h de conversas infrutíferas no Paquistão, Putin propõe mediação; Teerã chamou as exigências de Washington de “irracionais”.
Washington e Teerã deixam Islamabad sem trégua
O vice-presidente americano JD Vance apresentou a “oferta final” antes de abandonar a capital paquistanesa, enquanto a delegação iraniana também se retirou, segundo informou a agência Reuters. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, ainda reforçou que o país continuará “facilitando o diálogo” para evitar a retomada dos ataques.
“Vladimir Putin enfatizou a sua disponibilidade para facilitar ainda mais a busca de uma solução política e diplomática para o conflito e para mediar os esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”, registrou o Kremlin.
Por que a Rússia quer esse papel de árbitro?
Especialistas lembram que Moscou já capitalizou politicamente sobre conflitos externos — do acordo nuclear iraniano de 2015 à mediação no Cáucaso — para reforçar sua imagem de potência indispensável. No tabuleiro atual, a oferta de Putin sinaliza:
• tentativa de suavizar o isolamento diplomático decorrente da guerra na Ucrânia;
• interesse em preservar rotas energéticas no Golfo de que a própria economia russa depende;
• oportunidade de dialogar com Washington em terreno neutro, sem abrir mão de sua narrativa de força.
Caso a proposta ganhe tração, analistas apontam que Rússia, Irã e EUA podem abrir canal semelhante às conversas indiretas de Viena sobre o programa nuclear, mas com Paquistão e Arábia Saudita como fiadores de segurança regional.
O que você acha? Putin conseguirá assumir o papel de mediador ou a rivalidade Moscou-Washington falará mais alto? Para acompanhar a cobertura completa, acesse nossa editoria de Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
TRANSMISSÃO: Globo