Receita com venda de carteiras supera juros e levanta alerta de investidores
Banco Master – Dados repassados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado mostram que, em 2024, a instituição faturou R$ 1,6 bilhão ao revender operações de crédito consignado vinculadas ao cartão CredCesta, contra R$ 709 milhões obtidos com os próprios juros desses empréstimos.
- Em resumo: a revenda gerou mais que o dobro da receita dos juros, indicando aposta no ágio das carteiras.
Ágio bilionário e direito a receber de R$ 10,5 bi
A prática de comercializar carteiras consignadas não é nova, mas o volume chama atenção. O Master declarou um direito a receber de R$ 10,5 bilhões relacionado ao CredCesta só em 2024, valor que inclui novos contratos e possíveis recompras de carteiras. Entre 2022 e 2024, o ganho com revendas somou R$ 2,4 bilhões, superando os R$ 1,9 bilhão arrecadados em juros. Especialistas ouvidos pela G1 ressaltam que a diferença evidencia uma estratégia focada em ágio, típica de bancos médios que buscam liquidez imediata.
As informações contábeis mostram que o Master baixou R$ 14,4 bilhões na mesma janela, resultado da quitação de parcelas ou da venda de parte das carteiras.
Cenário regulatório pressiona consignados
O Banco Central vem apertando a fiscalização depois que o estoque de consignados do setor público ultrapassou R$ 300 bilhões em fevereiro, segundo dados oficiais. A revisão das normas, prevista para o segundo semestre, deve exigir comprovação eletrônica de margem consignável e autenticação de contratos para evitar fraudes – ponto sensível citado pela Polícia Federal na relação entre Master e BRB. Para investidores, o risco é de desvalorização das carteiras caso novas auditorias confirmem falta de lastro em parte dos contratos.
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Crédito da imagem: Divulgação / TV Globo