Medida fiscal quer blindar empregos e manter tecnologia militar no Estado
Rio Grande do Sul aposta na renovação dos incentivos de ICMS para indústrias de defesa e segurança, decisão anunciada na última sexta-feira (10), para frear a migração de projetos estratégicos e preservar milhares de postos qualificados.
- Em resumo: alíquota reduzida de ICMS é estendida para produtos aeroespaciais e de uso militar, mirando competitividade imediata.
Por que o ICMS virou questão de sobrevivência
Segundo o Correio do Povo, a indústria gaúcha perdeu recentemente as fragatas Classe Tamandaré para Santa Catarina e a montagem dos blindados Centauro para Minas Gerais — reveses que acenderam o alerta entre empresários e deputados.
“O benefício não é renúncia de receita; é investimento estratégico para travar a evasão de empregos de alta qualificação”, reforçou o deputado Gustavo Victorino (Republicanos) durante a reunião na FIERGS.
RS concentra metade da massa salarial do setor no Brasil
Dados do IBGE mostram que 42% das fábricas de armamentos do país estão em solo gaúcho, responsáveis por 51% dos salários do segmento. Além do viés econômico, especialistas lembram que o Estado possui um ecossistema acadêmico robusto — UFRGS, PUCRS e Unisinos — capaz de alimentar a cadeia com P&D de uso dual, ampliando a atratividade para contratos do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Em paralelo, governos de São Paulo e Goiás vêm oferecendo créditos presumidos e terrenos subsidiados para atrair as mesmas empresas. A prorrogação do ICMS no RS funciona, portanto, como “escudo fiscal” até que uma política industrial nacional para defesa seja votada no Congresso, prevista para o segundo semestre, segundo análise da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).
O que você acha? A redução do ICMS é suficiente para reter projetos estratégicos ou o Estado precisa de novos incentivos? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / FIERGS