Entre grãos de soja e cocaína, cidade boliviana consolida rota estratégica para o crime
Primeiro Comando da Capital (PCC) – apontado como a maior facção criminosa do Brasil – vem usando Santa Cruz de la Sierra como base de operações, segundo autoridades, ampliando a tensão na região após a captura de Sebastián Marset, em 13 de março.
- Em resumo: Santa Cruz alia posição geográfica, boom imobiliário e brechas legais que atraem chefes do narcotráfico.
Da logística perfeita às fronteiras porosas
A capital econômica boliviana liga, por rodovias e rios, os polos de produção de cocaína do Chapare a portos brasileiros e à hidrovia Paraguai–Paraná. Analistas ouvidos pela BBC News apontam que a proximidade com o porto de Santos e a facilidade de voos clandestinos reduzem custos e riscos para o PCC, o que explica a presença de nomes como Marcos “Tuta” Almeida, preso em 2025.
“É chave para grupos como o PCC terem acesso a portos, aeroportos e rotas de escoamento. A logística é central”, destaca Rodrigo Chagas, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Lavagem de dinheiro e nova resposta internacional
Além da cocaína, o dinheiro do tráfico se mistura a investimentos legítimos em condomínios de luxo, agricultura e comércio. O Grupo de Ação Financeira (GAFI) colocou a Bolívia na lista cinza por “deficiências estratégicas” no combate à lavagem de capitais, e autoridades locais admitem que documentos falsos ainda circulam com facilidade.
Pressionado, o governo de Rodrigo Paz retomou colaboração com a DEA após 17 anos e aderiu ao pacto “Escudo das Américas”. Também fechou acordo com Brasília para acelerar trocas de inteligência, medida vista como essencial depois de operações conjuntas que prenderam sete estrangeiros ligados a cartéis sul-americanos logo após Marset.
O que você acha? O cerco binacional vai mesmo afastar o PCC de Santa Cruz ou só empurrar a rota para outro ponto da fronteira? Para mais análises, acesse nossa editoria de Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images