Cenário imprevisível coloca holofote nacional sobre a disputa gaúcha
Rio Grande do Sul – Pela primeira vez desde 1986, o estado chegará às urnas com duas cadeiras no Senado abertas e sem nenhum titular buscando a recondução, após Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP) anunciarem que não tentarão novo mandato. A ausência de “donos do cargo” embaralha o jogo e amplia a chance de reviravoltas na reta final.
- Em resumo: sem incumbentes, nomes da esquerda, centro e bolsonarismo correm risco igual de conquistar as duas vagas.
Favoritos se trocam de posição a cada pesquisa
Na falta do “recall” que normalmente impulsiona quem já ocupa a cadeira, figuras experientes como Manuela D’Ávila (PSOL), Paulo Pimenta (PT), Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) disputam atenção de um eleitorado que costuma deixar a decisão para os últimos dias, lembra o cientista político Carlos Eduardo Bellini. Segundo levantamento citado pelo G1, mais da metade dos gaúchos define o voto para o Senado apenas na última semana.
“Sem o peso de um senador tentando reeleição e sem Eduardo Leite na corrida, qualquer candidatura larga com vantagem modesta, mas ninguém dispara”, analisa Bellini.
Polarização e segundo voto ditarão o resultado
A experiência de 2002, quando Germano Rigotto (MDB) venceu o governo mesmo fora das apostas iniciais, anima o centro a buscar o “segundo voto” de lulistas e bolsonaristas. Já os partidos alinhados a Jair Bolsonaro ensaiam repetir a dobradinha que rendeu vitórias-surpresa de Heinze em 2018 e Hamilton Mourão em 2022. A esquerda, por sua vez, trabalha para manter a tradição de eleger ao menos um nome progressista, sustentada pelo histórico de três mandatos consecutivos de Paim.
Especialistas projetam que a alta visibilidade das enchentes de 2024 e a reconstrução do estado deverão influenciar o debate, exigindo dos postulantes agenda clara para destravar verbas federais. Nacionalmente, o Senado renovará 27 cadeiras em 2026; cada estado oferece apenas uma vaga, exceto RS, Amapá e Goiás, que, pela rotação constitucional, abrirão duas. O exemplo de Minas Gerais em 2010, quando um candidato “fora do radar” terminou eleito na última semana, serve de alerta adicional para os favoritos gaúchos.
O que você acha? Quem leva as duas cadeiras: polarização pura ou composição de centro? Para acompanhar cada movimento da corrida, visite nossa editoria do Rio Grande do Sul.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Senado