Tennessee aprova mapa que fragmenta distrito negro histórico

ELIANE RIBAS SCHEMELER
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Mudança redistribui votos de Memphis e pode silenciar voz negra no Congresso

Tennessee – Na última quarta-feira, o Legislativo estadual ratificou um novo mapa eleitoral que desmonta o único distrito de maioria negra do estado, concentrado em Memphis, provocando reação imediata de organizações de direitos civis e de lideranças locais.

  • Em resumo: Redesenho divide eleitores majoritariamente afro-americanos de Memphis em três distritos predominante brancos.

Entenda como o novo traçado dilui o peso de Memphis

Com a atualização, as fronteiras do antigo 9º Distrito – responsável por eleger o único deputado democrata do estado – foram repartidas entre áreas rurais conservadoras. Segundo análise da Reuters, cada bloco anexa bairros de maioria negra a regiões onde o eleitorado branco ultrapassa 70%, reduzindo a possibilidade de escolha de um representante alinhado às pautas de justiça racial.

“Tennessee has approved a new congressional map that breaks apart a majority-Black district centred on Memphis.” — Texto original da Al Jazeera

Especialistas falam em retrocesso nos direitos de voto

Juristas lembram que decisões recentes da Suprema Corte, como o caso do Alabama em 2023, determinaram que mapas que reduzem intencionalmente a influência de eleitores negros podem violar a Lei dos Direitos de Voto de 1965. Memphis, cuja população negra chega a 63%, já enfrentou ações de gerrymandering nos anos 1990 e 2011, mas manteve até agora um distrito coeso que garantiu representatividade a partir de 1996.

Se o novo desenho vigorar nas eleições de 2026, analistas projetam que o partido republicano poderá conquistar oito das nove cadeiras federais do estado, cenário que põe em risco recursos federais para políticas de saúde pública, habitação e segurança em comunidades negras.

O que você acha? A fragmentação do distrito de Memphis compromete a democracia representativa? Para acompanhar mais análises sobre política, acesse nossa editoria especializada.






Crédito da imagem: Divulgação / Al Jazeera

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