Promessa de escudo jurídico amplia clima de incerteza na Casa Branca
Donald Trump fez circular, em recente reunião, a ideia de “perdoar todo mundo em um raio de 60 metros do Salão Oval”, segundo o The Wall Street Journal publicado na sexta-feira (10). A fala, que arrancou risos de assessores, reacendeu dúvidas sobre eventuais investigações após o fim de seu mandato.
- Em resumo: Trump já concedeu 1.600 perdões — número recorde — e cogita um indulto preventivo coletivo a funcionários.
Piada que pode virar decreto
Não é a primeira vez que o republicano lança comentários aparentemente jocosos que acabam concretizados. Fontes ouvidas pelo Reuters lembram que iniciativas polêmicas, como a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém, também nasceram de conversas informais.
“É sabido que Trump faz piadas sobre assuntos que depois leva a sério, e as frequentes referências levaram alguns assessores a acreditar que ele está falando sério sobre os indultos”, destaca o WSJ.
Indultos presidenciais: recordes e precedentes
O poder de graça é prerrogativa prevista na Constituição dos EUA desde 1789. Ainda assim, os 1.600 perdões concedidos por Trump já superam os 1.715 emitidos por Barack Obama em dois mandatos, sinalizando um uso muito acima da média histórica. Especialistas em direito constitucional alertam que um perdão “em massa” poderia ser contestado, mas não há jurisprudência clara que limite o alcance geográfico ou funcional do ato.
Além de blindar colaboradores contra possíveis acusações de obstrução de justiça ou uso irregular de verba pública, o gesto enviaria recado político a aliados: lealdade será retribuída. Por outro lado, opositores afirmam que a medida pode minar a responsabilização individual e tensionar a relação entre Executivo e Judiciário.
O que você acha? Um indulto coletivo protegeria ou prejudicaria a transparência no governo? Para mais análises sobre política internacional, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters