Pressão nos preços e risco no Estreito de Ormuz aceleram ofensiva diplomática
Giorgia Meloni iniciou na sexta-feira (3.abr.2026), em Jeddah, uma visita inesperada ao Oriente Médio para negociar suporte militar e assegurar fluxo de petróleo e gás à Itália no auge da crise entre Estados Unidos, Israel e Irã.
- Em resumo: Roma busca contratos energéticos e apoio à navegação após ataques que encareceram o barril.
Riad e Doha viram palco de diplomacia energética
Na Arábia Saudita, Meloni se reuniu com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Segundo nota oficial, a premiê “quis expressar a proximidade da Itália” ao aliado do Golfo e ofereceu assistência defensiva. Eles também discutiram rotas alternativas caso o estreito de Ormuz — por onde transita cerca de 20% do petróleo global — sofra novos bloqueios, conforme já alertou a Reuters.
“Há consenso sobre a urgência de proteger a liberdade de navegação em Ormuz e mitigar impactos para empresas e consumidores”, informou o governo italiano.
Em seguida, a líder italiana desembarcou em Doha, onde agradeceu ao emir Tamim bin Hamad Al Thani pelo apoio na evacuação de turistas italianos logo após o início dos ataques iranianos. O encontro reforçou o compromisso de reabilitar infraestrutura de gás no Qatar, um dos maiores exportadores de GNL do planeta.
Europa corre para amortecer novo choque de preços
A disparada recente das cotações — o Brent superou US$ 100 depois que oleodutos e navios-tanque foram atingidos — reavivou receios de 2022, quando a guerra na Ucrânia expôs a dependência europeia. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que Itália, Espanha e Grécia ainda importam mais de 60% do petróleo do Oriente Médio, apesar de esforços para diversificar com fornecedores africanos.
Especialistas veem na ofensiva de Meloni uma tentativa de repetir a “matriz Mattei”, plano que em 2023 selou acordos de gás com Argélia e Líbia. Agora, a prioridade recai sobre cravar volumes adicionais de óleo árabe e qatari antes da temporada de inverno no hemisfério norte, quando a demanda por combustíveis para aquecimento dispara.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters