Impasse ameaça prolongar bloqueio do principal corredor de petróleo do mundo
Conselho de Segurança da ONU – Marcada para este sábado (4), a votação da resolução do Bahrein que autoriza “todos os meios defensivos necessários” para reabrir o Estreito de Ormuz pode fracassar diante do veto anunciado de China, Rússia e França, aprofundando um bloqueio que já pressiona a economia global.
- Em resumo: Projeto perde fôlego porque três membros permanentes rejeitam qualquer aval ao uso da força contra o Irã.
China, Rússia e França barram cláusula que libera ação militar
Depois de uma semana de negociações a portas fechadas, os três países mantiveram objeção ao trecho que permite o emprego de “todos os meios necessários”. Diplomatas ouvidos pela agência Reuters afirmam que o dispositivo, na visão dos vetores, legitimaria ataques indiscriminados e abriria brecha para nova escalada regional.
“Autorizar o uso da força legitimaria uma ação ilegal e traria graves consequências”, alertou Fu Cong, enviado permanente da China na ONU.
Bahrein lidera ofensiva, mas depende da musculatura militar dos EUA
Atual presidente do Conselho, o Bahrein argumenta que o bloqueio imposto pelo Irã ameaça cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás. A proposta, porém, tem valor mais simbólico do que prático: analistas lembram que os países do Golfo, sozinhos, carecem de frota para escoltar navios em uma rota vigiada por mísseis da Guarda Revolucionária iraniana.
Mercado reage: Brent sobe 18% em trinta dias
Desde o ataque de Estados Unidos e Israel a alvos iranianos, no fim de fevereiro, o barril do Brent saltou de US$ 82 para US$ 97, elevando custos de combustível, frete e seguros marítimos. Companhias de logística já relatam redirecionamento de rotas via Cabo da Boa Esperança, acrescentando até 10 dias aos prazos de entrega.
Historicamente, o Conselho de Segurança aprovou uso de força em 1990 (Golfo) e 2011 (Líbia), sempre sob forte coalizão ocidental. O cenário atual difere: além do veto triplo, Paris classificou a operação como “irrealista” devido à densa presença militar iraniana em terra e mar.
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Crédito da imagem: Leon Neal/Pool via AP