Bloqueio de faturamento acende alerta sobre liquidez e serviço postal
Correios viram sua principal fonte de caixa ser bloqueada no 2º semestre de 2025, depois que o sindicato de bancos credores acionou cláusula de garantia ligada ao volume de precatórios, provocando efeito dominó nas finanças da estatal.
- Em resumo: Receita operacional ficou retida, juros saltaram de 22% para 25,7% ao ano e a operação passou a correr risco de descontinuidade.
Cláusula foi ativada após salto nos precatórios
O contrato assinado em junho de 2024 pelo então presidente Fabiano Silva dos Santos previa que o estoque de precatórios se manteria estável. Quando novas sentenças judiciais elevaram o passivo, Citibank, BTG Pactual e Banco ABC exerceram o direito de reter “integralmente” a receita das contas garantia, segundo detalhado pelo relatório interno ao qual o g1 teve acesso.
“O bloqueio de faturamento imposto pelos credores caracteriza cenário de alta criticidade, com impactos financeiros, operacionais e institucionais de grande magnitude”, aponta o documento da Controladoria.
Renegociação cara e risco de serviço interrompido
Para liberar o fluxo de caixa, a nova gestão comandada por Emmanoel Schmidt Rondon aceitou pagar R$ 44,8 milhões em “dispensa de obrigação contratual” e concordou com escalonamento de juros: 4% + DI até novembro e 5% + DI a partir daí, elevando a taxa efetiva a 25,67% ao ano. O acordo ainda antecipou parcelas e tornou os pagamentos mensais.
Analistas lembram que, historicamente, estatais como Petrobras e Eletrobras recorreram a injeções de capital da União para contornar estrangulamentos de liquidez. Caso os Correios consigam aporte superior a R$ 5 bilhões, a taxa volta para 3% + DI — condição vista pelo mercado como “porta de emergência”.
Na prática, o episódio reforça a vulnerabilidade de empresas públicas frente a decisões judiciais. Segundo levantamento da Advocacia-Geral da União, o estoque total de precatórios federais ultrapassou R$ 95 bilhões em 2025, pressionando o Tesouro e refletindo sobre estatais dependentes de caixa próprio.
O que você acha? A estatal deve buscar aporte governamental ou vender ativos para reduzir o endividamento? Para mais análises sobre finanças públicas, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / g1