Decisão na Patagônia gera alerta sobre risco hídrico e pressiona Casa Rosada
Javier Milei – O presidente argentino amargou recentemente o primeiro grande revés à sua agenda de desregulamentação ambiental: um tribunal federal suspendeu, na província de Santa Cruz, a lei que autorizava mineração e extração de petróleo em áreas próximas a geleiras.
- Em resumo: Justiça congela a reforma da “Lei de Geleiras” e põe em xeque projetos em torno do glaciar Perito Moreno.
Pressão de ambientalistas e prefeitos trava avanço
A cautelar atendeu a uma ação coletiva do Conselho Deliberante de El Calafate, apoiada por ONGs e especialistas que apontam risco “irreversível” ao fornecimento de água doce. De acordo com a agência Reuters, a região abriga parte dos 17 mil corpos de gelo que garantem equilíbrio hídrico à Argentina.
“A redução dos padrões de proteção ambiental representa perigo iminente”, registrou o juiz ao justificar a suspensão imediata da norma.
Efeito dominó ameaça estender bloqueio a todo o país
Embora restrita a Santa Cruz, a decisão inspira recursos semelhantes em La Pampa e prepara terreno para ações que chegarão à Suprema Corte. Greenpeace e instituições acadêmicas já articulam processos em ao menos outras seis províncias, cenário que pode travar investimentos no setor de mineração avaliados em US$ 20 bilhões nos próximos anos. O tema também tensiona o turismo da Patagônia, que movimenta 2 milhões de visitantes anuais interessados em paisagens como o glaciar Perito Moreno.
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Crédito da imagem: Divulgação / AFP