Especialista liga protagonismo regional do Brasil aos interesses da Casa Branca
Lula – De acordo com o professor de relações internacionais Guilherme Casarões, a consolidação do petista no Planalto pode ser tão útil para Donald Trump quanto para o senador Flávio Bolsonaro, pois amplia a capacidade de Brasília de arbitrar crises na vizinhança, sobretudo com a Venezuela.
- Em resumo: Casa Branca se beneficia se Lula mediar temas regionais que impactam diretamente a pauta energética dos EUA.
Washington observa de perto a ponte Brasília–Caracas
O diagnóstico de Casarões ganha peso num momento em que o governo norte-americano avalia flexibilizar sanções contra o petróleo venezuelano, condição que passa por diálogo com atores confiáveis na região. Segundo reportagem da Reuters, a disponibilidade da Venezuela em negociar depende de garantias políticas que o Brasil, sob Lula, pode oferecer.
“Interessa à Casa Branca que o presidente brasileiro tenha influência regional e diálogo com a Venezuela”, frisa Casarões.
Efeito cascata: de Flávio Bolsonaro ao tabuleiro eleitoral dos EUA
Para o analista, a mesma lógica que projeta o prestígio de Lula no exterior pode fortalecer o capital político de Flávio Bolsonaro no Senado, já que o parlamentar sustenta agenda de segurança e fronteiras alinhada à ala republicana nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Trump pode citar a mediação brasileira como exemplo de diplomacia “terceirizada”, poupando Washington de envolvimento direto em crises sul-americanas enquanto foca na corrida presidencial de 2024.
Historicamente, presidentes americanos recorrem a parceiros regionais para reduzir custos diplomáticos. Durante o governo Obama, por exemplo, foi a Colômbia que assumiu parte das conversas de paz com as Farc, segundo registros do Departamento de Estado. Agora, especialistas veem o Brasil apto a repetir a lógica, mas com impacto maior, já que Caracas detém a maior reserva de petróleo do planeta.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC News