Estudo bilionário pode mudar onde os navios americanos nascem
Pentágono – Em seu orçamento para 2027, o Departamento de Defesa reservou US$ 1,85 bilhão para analisar se parte da próxima geração de navios de guerra pode sair de estaleiros no Japão ou na Coreia do Sul, países vizinhos da China e líderes globais em capacidade naval.
- Em resumo: Washington cogita romper regra histórica e construir embarcações fora do território americano.
A corrida contra o relógio industrial
Com atrasos crônicos em estaleiros domésticos, a Marinha vê a frota encolher enquanto Pequim expande a sua. O plano, apelidado de “Golden Fleet”, prevê US$ 65,8 bilhões para acelerar encomendas e já avalia usar projetos prontos dos aliados asiáticos, segundo apuração da agência Reuters.
“Recorrer a estaleiros estrangeiros para grandes navios militares é algo raro na história recente dos Estados Unidos”, admite um documento interno citado no debate.
O que está em jogo para o equilíbrio no Pacífico
A medida enfrenta barreiras legais que exigem autorização expressa de segurança nacional, além da pressão de estaleiros americanos que reivindicam investimentos em casa. Ainda assim, o fator tempo pesa: estimativas do Escritório de Inteligência Naval indicam que a China já opera mais de 370 navios de combate — contra cerca de 290 da US Navy — e poderá chegar a 440 até 2030 se o ritmo atual continuar.
Para analistas, produzir fragatas e destróieres em Yokohama ou Busan reduziria prazos em até 30%, graças a linhas de produção automatizadas e contratos de longo prazo firmados nesses estaleiros para exportação civil e militar. Caso avance, o acordo seria o primeiro desde a Segunda Guerra em que navios de combate dos EUA nascem integralmente fora do país, sinalizando uma nova lógica de alianças na região Indo-Pacífico.
O que você acha? A Marinha deve abrir mão da produção doméstica para ganhar velocidade? Para mais análises sobre geopolítica, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images