IAEA cobra remoção de urânio enriquecido iraniano em Isfahan

ELIANE RIBAS SCHEMELER
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Joudi Khreiss, a displaced Lebanese girl from the southern village of Khiyam, near the border with Israel, runs toward her family shelter in a makeshift encampment, amid a temporary ceasefire between Lebanon and Israel, in Beirut, Lebanon April 27, 2026. REUTERS/Zohra Bensemra

Remoção ou diluição do material nuclear vira impasse geopolítico

IAEA – Na avaliação divulgada recentemente, o diretor-geral Rafael Grossi confirmou que a maior parte do urânio iraniano altamente enriquecido permaneceu armazenada em Isfahan mesmo após ataques norte-americanos e israelenses em junho de 2025, ampliando a tensão regional.

  • Em resumo: Órgão nuclear da ONU pressiona Teerã a retirar ou diluir o estoque antes que ele possa ser convertido em arma.

Riscos de manter o estoque no coração do programa nuclear

Grossi advertiu que, sem um pacto político sólido, restará apenas uma operação militar de grande escala para deslocar o material — cenário que elevaria a instabilidade no Golfo. Como destaca a agência Reuters, o urânio está enriquecido em grau próximo ao exigido para uso bélico, encurtando a chamada “janela de breakout” de Teerã.

“Nosso primeiro objetivo é que o urânio saia do Irã ou seja rapidamente diluído a níveis mais baixos de enriquecimento”, afirmou Grossi.

Moscou na mesa e lições de outras crises nucleares

O chefe da IAEA revelou conversas preliminares com a Rússia e demais ex-signatários do acordo nuclear de 2015 (JCPOA) para viabilizar a remoção. O Kremlin, vale lembrar, coordenou em 2013 a extração do arsenal químico sírio, criando um precedente que agora serve de modelo.

Analistas estimam que o Irã dispõe hoje de cerca de 22 vezes o limite de urânio estipulado no JCPOA, o suficiente para múltiplas ogivas se convertido a grau militar. Controlar esse estoque é crucial para evitar uma corrida armamentista que poderia atingir Israel e comprometer rotas de exportação de petróleo vitais para o Ocidente.

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Crédito da imagem: Divulgação / IAEA

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