Rejeição inédita em 132 anos desencadeia movimento de obstrução no Congresso
Lula – Na noite de quarta-feira (29), o Senado rejeitou por 42 × 34 o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, deflagrando uma articulação bolsonarista para bloquear qualquer nova indicação presidencial ao tribunal até as eleições de outubro.
- Em resumo: derrota de Messias expõe força de Alcolumbre e sinaliza veto prévio a futuros indicados ao STF.
Derrota expõe protagonismo de Alcolumbre e clima eleitoral
Parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro pediram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que “segure” eventuais indicações por seis meses, segundo relatos publicados pela Reuters. O gesto repete a estratégia usada em 2016 pelos republicanos nos Estados Unidos, quando bloquearam a nomeação de Merrick Garland feita por Barack Obama.
“Dificilmente haverá análise de um novo nome antes da eleição, a não ser o nome do Pacheco”, alertou o senador Efraim Filho (PL-PB).
Consequências para o STF e para o Planalto
A recusa – primeira desde 1894 – deixa o STF com uma cadeira vazia em ano de julgamentos sensíveis, como ações sobre fake news. Se mantido o impasse, o tribunal pode operar com dez ministros durante boa parte de 2026, reduzindo quórum e abrindo espaço para empates que favorecem réus.
Para o governo, a derrota mina a narrativa de governabilidade e dificulta negociações no Congresso. Especialistas lembram que Lula ainda poderá indicar ao menos mais um ministro até 2027, caso consiga construir maioria qualificada. Na prática, porém, a oposição aposta que o próximo presidente — possivelmente Flávio Bolsonaro, pré-candidato, ou outra liderança de direita — herde o poder de nomeação.
O que você acha? A obstrução prolongada pode comprometer o equilíbrio entre os Poderes? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Senado Federal