Noboa acusa Petro de apoiar guerrilha e crise na fronteira

ELIANE RIBAS SCHEMELER
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Troca de acusações reacende temor de conflito armado entre os vizinhos

Equador – Em 29 de abril de 2026, o presidente Daniel Noboa afirmou, em rede nacional e durante a “TRANSMISSÃO: Band”, que guerrilheiros colombianos teriam recebido apoio do governo de Gustavo Petro para entrar no território equatoriano, elevando a tensão na linha divisória de 600 km entre os países.

  • Em resumo: Noboa fala em “incursão armada” patrocinada por Bogotá; Petro nega e pede reunião na fronteira.

Acusações públicas e resposta imediata

O sinal de alerta soou quando Noboa publicou em X que “fontes confiáveis” detectaram o avanço de combatentes a partir do norte colombiano. Minutos depois, Petro reagiu, convidando o colega a “construir a paz in loco” e classificando a denúncia como falsa, conforme registra a Reuters.

“Vamos proteger nossa fronteira e nossa população”, escreveu Noboa, sem apresentar provas ou detalhar o suposto ponto de infiltração.

Economia em risco e histórico de atritos

Além do front militar, a crise migrou para o comércio: o Equador dobrou para 100% o imposto sobre produtos colombianos, e Bogotá devolveu na mesma moeda. As sanções afetam um fluxo que supera US$ 3 bilhões anuais, travando setores como cacau, flores e derivados de petróleo.

O embate é o ápice de uma série de farpas iniciada em fevereiro, quando Quito criticou a “baixa cooperação” colombiana contra o narcotráfico. De lá para cá, houve denúncia de bombas não detonadas, ofensiva militar equatoriana com apoio dos EUA e, agora, suspeita de fornecimento de explosivos usados no atentado que matou 21 civis no sábado anterior – ato reivindicado por dissidentes das FARC.

Enquanto isso, a violência interna permanece alta: o Equador fechou 2025 com 51 homicídios por 100 mil habitantes, uma das piores marcas da região. Analistas temem que a nova escalada fronteiriça desvie recursos de segurança doméstica e agrave a crise social.

O que você acha? A retórica de Noboa e Petro aproxima a região de um impasse diplomático ou pode abrir caminho para cooperação real? Para mais análises, visite nosso especial sobre geopolítica sul-americana.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

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