Raízes históricas e nuances modernas dividem o universo cristão
Evangélicos — termo que ganhou destaque nas últimas décadas no Brasil — nem sempre cabem no mesmo guarda-chuva teológico dos protestantes clássicos, e a distinção ajuda a entender disputas de influência que movimentam a religião e a política contemporâneas.
- Em resumo: protestantismo é a matriz; evangelicalismo, uma vertente que se multiplicou em correntes pentecostais e neopentecostais.
Da Reforma de Lutero ao crescimento explosivo no Brasil
A palavra “protestante” remete ao movimento iniciado em 1517 por Martinho Lutero na Europa. Desse tronco surgiram igrejas históricas — luteranas, presbiterianas, batistas, metodistas — que fincaram raízes no país no século 19. Já “evangélico” tornou-se guarda-chuva para denominações que enfatizam experiência pessoal de fé e evangelização intensa, segundo análise da BBC News Brasil, chegando a responder por mais de 30% da população brasileira.
“Ser evangélico é o mesmo que ser protestante? Não necessariamente: todo evangélico tem origem protestante, mas nem todo protestante adotará práticas ou teologias típicas do evangelicalismo.”
Pentecostais, neopentecostais e o uso (nem sempre pejorativo) de “crente”
A partir dos anos 1910, missões vindas dos Estados Unidos espalharam o pentecostalismo, marcado por dons espirituais como glossolalia (falar em línguas). Já nos anos 1970 emergiram igrejas neopentecostais, que abraçam estratégias de marketing religioso, teologia da prosperidade e cultos televisivos de grande audiência.
Chamar alguém de “crente” era visto como rótulo depreciativo nas décadas passadas, mas muitas lideranças ressignificaram o termo. Hoje, parte das próprias igrejas o utiliza para reforçar identidade e pertencimento de seus fiéis, enquanto estudiosos ainda recomendam a terminologia “evangélico” ou “protestante” conforme o recorte histórico.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC