Alertas de violência e risco ambiental reforçam o pedido por ação imediata
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) destacou, neste 19 de abril, que a falta de demarcação mantém comunidades sob ataque constante e ameaça a própria sobrevivência cultural.
- Em resumo: Apib, Coiab e Anistia exigem demarcação já, citando garimpo ilegal e degradação da Amazônia.
Garimpo, incêndios e grilagem escancaram urgência territorial
Números recentes citados pela Apib mostram que, apenas em 2023, mais de 200 terras indígenas foram invadidas por garimpeiros, madeireiros ou grileiros, quadro corroborado por relatório da Reuters sobre o avanço das atividades ilegais.
“Sem demarcação não há vida, não há cultura, não há futuro. Território é onde plantamos, onde rezamos, onde enterramos nossos ancestrais”, pontuou a Apib em nota pública.
Demarcar é proteger clima, biodiversidade e democracia
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) lembra que povoamentos originários salvaguardam 80% da biodiversidade mundial, dado também citado pela ONU. Especialistas em clima reforçam que áreas indígenas legalmente reconhecidas funcionam como barreira natural contra o desmatamento, reduzindo emissões de CO2 e mitigando eventos extremos, como a seca histórica que castigou a região Norte em 2023.
Além da pressão social, o tema tramita no Congresso por meio de pautas como o “marco temporal” e o PL 490, que podem redefinir conquistas já asseguradas na Constituição de 1988. Para lideranças indígenas, acelerar processos na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) é vital para que disputas de terra deixem de resultar em violência letal — o Brasil registrou 180 assassinatos de indígenas na última década, segundo dados do Cimi.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil