Estratégia de renaturalização coloca a água de volta no centro do planejamento urbano
Cecília Herzog – A paisagista da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza alerta que devolver o leito natural aos rios urbanos é passo decisivo para conter o rastro de destruição causado pelas chuvas extremas que castigam o Brasil recentemente.
- Em resumo: Abrir e vegetar rios reduz o pico de vazão e transforma áreas de risco em parques multifuncionais.
Do Bixiga ao Maracanã: projetos‐piloto sinalizam virada de chave
Em São Paulo, o futuro Parque Municipal do Bixiga prevê desenterrar parte do córrego homônimo após quatro décadas de mobilização popular. A licitação do projeto foi lançada em janeiro e o vencedor sai em maio. Já no Rio de Janeiro, um grupo de trabalho municipal discute devolver sinuosas ao Rio Maracanã; concurso público deve ser detalhado ainda este ano, segundo a prefeitura. Tendência similar já ganhou força em Seul, que revitalizou o Cheonggyecheon em 2005 e economiza, em média, 85 milhões de dólares anuais em custos com enchentes, de acordo com levantamento citado pela CNN Brasil.
“Em rios abertos, com seu curso natural e vegetação ciliar, o impacto da chuva é muito menor”, reforça Cecília Herzog.
Infraestrutura verde também corta ilhas de calor e valoriza o entorno
A arquiteta Juliana Baladelli Ribeiro, da Fundação Grupo Boticário, lembra que telhados verdes, jardins de chuva e bacias de retenção compõem o mesmo pacote de soluções baseadas na natureza. Estudo da Universidade de Oxford mostra que cidades que adotaram essas técnicas registraram queda de até 5 °C em ondas de calor e valorização imobiliária de 6% em cinco anos. Além disso, parte dos custos pode ser compensada por fundos climáticos internacionais, que reservam cerca de US$ 40 bilhões para projetos de adaptação até 2030.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil