Preço dinâmico e revenda sem regras fazem da próxima Copa a mais cara de todos os tempos
Fifa — A entidade anunciou recentemente que espera arrecadar um recorde de US$ 3 bilhões com ingressos para a Copa do Mundo de 2026, cuja transmissão no Brasil será da Record. O valor mínimo para assistir à final já parte de quase R$ 21 mil, enquanto sites de revenda pedem até € 163 mil (cerca de R$ 950 mil), provocando indignação global.
- Em resumo: A falta de teto de preço e o câmbio elevado empurram o ingresso mais caro para perto de 1 milhão de reais.
Dinâmica de preços turbina especulação e desafia o bolso do fã
A política de precificação dinâmica, em que o valor oscila conforme a procura, foi adotada pela Fifa pela primeira vez em toda a competição. Especialistas alertam que o mecanismo, comum em companhias aéreas, favorece a escalada de preços em mercados pouco regulados. De acordo com reportagem da Reuters, nem Estados Unidos nem Canadá limitam a revenda, o que estimula plataformas a multiplicar o preço original.
“Fiquei chocado com o nível de ganância, para ser sincero”, disse um torcedor norte-americano entrevistado pelo G1.
Salto histórico: da Rússia ao Canadá, um aumento de 600 %
Na Copa de 2018, na Rússia, o ingresso mais barato para a decisão custava o equivalente a R$ 3 mil. No Catar-2022, saltou para cerca de R$ 6 mil. Agora, o piso bate R$ 21 mil — sete vezes mais em apenas duas edições. Para efeito de comparação, o salário médio no Brasil é de R$ 2,9 mil, o que significa quase oito meses de renda para assistir a um único jogo.
Além do preço, torcedores de nações africanas e asiáticas esbarram em restrições de visto impostas pelos Estados Unidos, o que já motiva campanhas de boicote. Caso o movimento ganhe força, a Fifa pode enfrentar pressão parecida com a que sofreu na década de 1980, quando teve de rever políticas de venda após protestos em massa.
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Crédito da imagem: Mandel NGAN / POOL / AFP