PF suspende credencial de agente dos EUA após retaliação

ELIANE RIBAS SCHEMELER
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Decisão inédita eleva a temperatura nas relações Brasil-EUA

Polícia Federal determinou a suspensão imediata das credenciais de um agente do governo dos Estados Unidos destacado em Brasília, restringindo seu acesso a bases de dados sensíveis e instalações da corporação. A medida, tornada pública recentemente, é descrita como ato de reciprocidade após Washington exigir a saída do delegado brasileiro Alexandre Ramagem do território norte-americano em 2023.

  • Em resumo: agente americano perde acesso a sistemas da PF; Brasil reage a expulsão de seu representante nos EUA.

Entenda a punição ao agente americano

A credencial retirada pertencia a um oficial lotado na Homeland Security Investigations (HSI) que, desde 2018, atuava junto à Embaixada em Brasília. Fontes ouvidas pela BBC News Brasil afirmam que a suspensão inclui o bloqueio de logins no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e no banco de dados de registros policiais.

“Medida vai suspender acesso de americano a bases de dados fornecidas pelas autoridades brasileiras; ação é de reciprocidade após americanos determinarem saída de agente brasileiro”, destaca documento interno da PF.

O que motivou a retaliação brasileira?

A retirada de Ramagem dos EUA, na época adido da PF, ocorreu durante investigação americana sobre suposto acesso não autorizado ao celular de uma autoridade local. Brasília classificou a ordem como “desproporcional” e avisou que responderia à altura. Especialistas em diplomacia policial observam que esse tipo de sanção raramente acontece entre países parceiros em acordos de cooperação, sinalizando desconforto crescente.

Além disso, o episódio pode impactar o fluxo de informações de inteligência voltado ao combate a crimes transnacionais, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, áreas nas quais Brasil e EUA tradicionalmente colaboram. Analistas lembram que, em 2022, os dois países trocaram mais de 1.400 relatórios operacionais conjuntos, segundo dados do Departamento de Justiça norte-americano.

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Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Federal

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