Retaliação diplomática escancara tensão nas relações Brasil-EUA
Polícia Federal — Na última quarta-feira (22), o diretor-geral Andrei Rodrigues confirmou ter retirado as credenciais de trabalho de um servidor norte-americano em Brasília, invocando o princípio da reciprocidade depois que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho recebeu ordem para deixar os Estados Unidos.
- Em resumo: a PF replicou a mesma restrição imposta ao seu delegado, sinalizando paridade no tratamento entre os dois países.
Como funciona o princípio da reciprocidade
Prática consagrada no direito internacional, a reciprocidade determina que nenhum país conceda privilégios que não recebe. Em termos concretos, pode envolver vistos, tarifas ou, como agora, credenciais funcionais. A especialista Ana Carolina Marson destaca que o mecanismo “evita vantagens unilaterais” e é acionado sempre que se percebe desequilíbrio. Casos semelhantes ocorreram em 2025, quando o Canadá suspendeu permissões de diplomatas chineses, segundo mostrou a Reuters.
“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, afirmou Andrei Rodrigues em entrevista à GloboNews.
Repercussão e precedentes recentes
Não é a primeira vez que Brasília recorre ao instrumento. Em março de 2026, o Itamaraty revogou o visto de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, após Washington ter negado entrada à família do ministro Alexandre Padilha. Medidas semelhantes já afetaram turistas americanos em 2019, quando o Brasil voltou a exigir visto enquanto aguardava isenção equivalente dos EUA. Analistas apontam que a atual decisão da PF sinaliza ao futuro governo norte-americano que retaliações administrativas não ficarão sem resposta.
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Crédito da imagem: Divulgação / Andressa Anholete – Agência Senado