Montante milionário acende alerta sobre influência e transparência
Banco Master – Documentos fiscais enviados recentemente à CPI do Crime Organizado indicam que o banco desembolsou R$ 40,1 milhões, em 2024, para o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, reacendendo debates sobre conflitos de interesse na esfera pública.
- Em resumo: Instituição declarou 11 notas de R$ 3,6 milhões cada ao Fisco, totalizando mais de R$ 40 milhões em um único ano.
Pagamentos mensais sob lupa da CPI
O contrato, revelado inicialmente pelo jornal O Globo em 2025, previa 36 parcelas de R$ 3,6 milhões. Agora, os dados oficiais confirmam 11 repasses em 2024, com retenção de R$ 2,46 milhões em tributos. A divulgação ocorreu depois que a comissão identificou lacunas na primeira remessa de informações e cobrou a Receita. Segundo apuração da Reuters, integrantes da CPI avaliam pedir acesso às minutas das reuniões entre o banco e o escritório para detalhar escopo e resultados da consultoria.
“Os registros apontam pagamentos robustos para serviços jurídicos continuados, exigindo verificação de contrapartidas efetivas”, anotou a equipe técnica da CPI em parecer interno obtido pela reportagem.
Implicações políticas e mercado jurídico
A revelação chega num momento em que a CPI caminha para o fim: o presidente do Senado decidiu não prorrogar os trabalhos, e o relatório final deve ser apresentado no dia 14. Especialistas em governança observam que, apesar de prática comum, contratos milionários entre bancos e bancas de ex-magistrados ou parentes demandam controles rígidos de compliance para evitar suspeitas de influência indevida em decisões regulatórias.
Nos últimos cinco anos, instituições financeiras fortaleceram departamentos internos de controle após sanções internacionais relacionadas a lavagem de dinheiro. Casos como o do Master reposicionam a discussão sobre transparência na contratação de escritórios e consultorias estratégicas, especialmente quando envolvem figuras próximas ao Poder Judiciário.
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Crédito da imagem: Divulgação / Globo