Fábrica gaúcha quer romper o domínio asiático com tecnologia de carbeto de silício
Brasil – Em meio à corrida trilionária por semicondutores, o país define a produção de chips de potência como porta de entrada para competir globalmente, segundo o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec).
- Em resumo: Ceitec promete iniciar a fabricação de wafers de carbeto de silício, peça-chave para veículos elétricos e data centers.
Por que começar pelos chips de potência
Ao mirar dispositivos usados em carros elétricos, energia solar e eólica, o Ceitec aposta em um nicho que cresce acima de 30% ao ano. A estratégia replica o caminho de Taiwan nos anos 1980: focar em um segmento rentável e, depois, escalar. Projeções apontam que a indústria mundial de semicondutores pode alcançar US$ 1 trilhão até 2030, de acordo com estimativas do Canaltech.
“Produzir chips avançados exige bilhões e uma política de Estado de duas décadas”, alerta Augusto Gadelha, presidente do Ceitec.
Investimento, escala e o modelo Embraer
O Ceitec busca parcerias internacionais para acelerar a transferência de know-how, enquanto reivindica um programa de incentivos nos moldes do Chips Act americano. Internamente, o governo estuda ampliar o PADIS, abatendo até 80% em impostos sobre equipamentos importados para a linha fabril. O paralelo com a Embraer é recorrente: persistência em P&D, formação de engenheiros e foco exportador transformaram a empresa em terceira maior fabricante de jatos do mundo.
Especialistas lembram que o país já domina as pontas da cadeia – design e encapsulamento – mas gasta cerca de US$ 7 bilhões anuais em importações para suprir a etapa de fabricação. Se a nova planta em Porto Alegre ganhar volume, pode criar um ecossistema de fornecedores nacionais de gases, fotomáscaras e materiais ultrapuros, reduzindo essa dependência.
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Crédito da imagem: Divulgação / Mahir Asadli