Mudança sinaliza dependência maior de usinas térmicas e pressiona orçamento doméstico
ANEEL anunciou na última sexta-feira (24) o acionamento da bandeira tarifária amarela para todo o mês de maio, incluindo um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos — a primeira cobrança extra deste ano.
- Em resumo: com reservatórios em queda, a conta de luz sobe já na próxima fatura.
Menos chuva, mais térmicas: a equação que encarece a energia
A estiagem típica do início do período seco reduziu o nível dos principais reservatórios e obrigou o Operador Nacional do Sistema a acionar usinas termelétricas, fonte mais cara e poluente. Segundo projeções citadas pela Reuters, o custo médio de geração pode subir até 15% quando a matriz hídrica perde espaço para o gás e o óleo.
“Com menor capacidade de geração hídrica, o sistema elétrico passa a depender mais de usinas termelétricas, que têm custo mais elevado”, informou a agência reguladora.
Indústria, inflação e consumidor: efeitos em cadeia
A Federação das Indústrias de Minas Gerais alerta que a tarifa extra encarece a produção de aço, cimento e alimentos — setores que já enfrentam margens apertadas. Em 2021, quando a bandeira vermelha foi acionada por vários meses, a energia residencial acumulou alta de 21,2% no IPCA; especialistas temem que a repetição do cenário pressione a inflação no segundo semestre.
Economistas lembram ainda que cada R$ 1 de aumento na conta de luz pode retirar até R$ 2,50 do consumo em outras áreas, reduzindo a atividade varejista. Para mitigar riscos, o Ministério de Minas e Energia estuda acelerar leilões de geração renovável, enquanto meteorologistas monitoram a possível volta do fenômeno El Niño, que tende a manter a seca no Norte e Nordeste.
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Crédito da imagem: Divulgação / Aneel