Críticas ao “look” das fiéis precederam a manipulação digital com IA
Jefferson Souza – humorista de 37 anos que imita Silvio Santos – é alvo de inquérito da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, em São Paulo, por usar inteligência artificial para sexualizar imagens de adolescentes e jovens da Congregação Cristã do Brasil (CCB).
- Em resumo: o influencer admitiu que transforma fotos feitas nos cultos em vídeos sensuais para ganhar seguidores.
De piadas a investigação criminal
Nos perfis que somam quase 50 mil seguidores em TikTok, YouTube e Instagram, Souza disparava críticas às roupas “que marcam o corpo” usadas por frequentadoras da CCB, enquanto, nos bastidores, alimentava softwares de IA com essas mesmas fotos. A Polícia Civil apura violação ao artigo 241-C do ECA, que prevê até três anos de prisão para quem simula pornografia infantil. Em declaração ao G1, a delegada Juliana Raite Menezes reforçou que “a internet não é terra sem lei”.
“Algumas mostram o rosto, mas hoje em dia as roupas que as irmã usam são roupas que marcam o corpo”, disse Jefferson em vídeo antes de pedir desculpas públicas à igreja.
Deepfakes crescem e expõem vácuo regulatório
Casos semelhantes têm se multiplicado: levantamento da SaferNet apontou quatro ocorrências de deepfakes sexuais em escolas paulistas apenas neste ano. Especialistas da PUC-SP alertam que a facilidade das ferramentas gratuitas amplia o risco, enquanto o Brasil ainda debate um marco legal específico para IA. Países como a França já aprovam multas milionárias para quem manipula imagens sem consentimento, movimento que pressiona o Congresso a acelerar projetos sobre crimes digitais.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1