Nova métrica climática indica risco de chuvas extremas e enchentes
Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX) – Em nota técnica divulgada recentemente, o consórcio científico elevou o grau de atenção para o Rio Grande do Sul após identificar até 93% de chance de o El Niño permanecer ativo entre agosto e dezembro de 2026, com probabilidade superior a 50% de o evento chegar à categoria forte.
- Em resumo: Pacífico aquece rápido e pode desencadear chuvas intensas e enchentes no RS já no último trimestre de 2026.
Probabilidade recorde exige atenção já
A aceleração do aquecimento das águas superficiais e subsuperficiais do Pacífico, aliada a ventos equatoriais anômalos, sustenta a previsão. Segundo o CIEX, existe ainda 25% de chance de ocorrer um El Niño “muito forte”, cenário comparável aos episódios de 1997-1998 e 2015-2016, considerados os mais intensos das últimas décadas. Dados levantados por centros internacionais, como o Climate Prediction Center citado pela Reuters, corroboram o alerta.
“O atual nível de probabilidade já é considerado suficiente para orientar medidas de mitigação por parte de órgãos públicos e setores produtivos”, aponta a nota técnica.
Por que o RONI muda o jogo das previsões
Para reduzir distorções causadas pelo aquecimento global, os pesquisadores trocaram o tradicional Índice Oceânico Niño (ONI) pelo Índice Relativo Oceânico Niño (RONI). A nova métrica desconta a elevação média da temperatura mundial e, por isso, detectou que anos recentes ainda exibiam traços de La Niña, fenômeno oposto ao El Niño. Com a metodologia refinada, as anomalias térmicas previstas para 2026 ganham mais precisão, aumentando a confiança das projeções.
Impactos previstos no RS e setores mais vulneráveis
Histórico de eventos anteriores mostra que um El Niño intenso costuma elevar em até 40% o volume de chuva no estado, pressionando bacias hidrográficas já sensíveis. Agricultura, logística e energia aparecem entre os segmentos mais expostos: plantios de soja e milho podem sofrer perdas por encharcamento, enquanto hidrelétricas enfrentam variações bruscas de vazão. Na área da saúde, surtos de doenças transmitidas por água contaminada tendem a crescer.
Especialistas defendem revisão imediata de planos de contingência, reforço de diques e campanhas de alerta à população. A Defesa Civil estadual, por exemplo, sinaliza que a atualização de protocolos deve ser concluída antes do inverno de 2026.
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Crédito da imagem: Divulgação / CIEX