Esgoto da ETE da Casan ameaça Baía Sul e sustento de maricultores

Deivid Jorge Benetti
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Concorrida audiência em junho definirá futuro ecológico de Florianópolis

Casan – A companhia volta à mesa de conciliação com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) no próximo mês de junho para tentar destravar a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Rio Tavares, paralisada desde 2016 por falhas de licenciamento.

  • Em resumo: proposta prevê lançar até 900 L/s de efluente tratado na Baía Sul, berçário de pescadores e maricultores.

Licença contestada e risco de colapso ambiental

O ICMBio e comunidades tradicionais acusam a obra de avançar sem estudos completos de impacto. A atual solução da Casan transfere o descarte do frágil Rio Tavares para um emissário na altura do Saco dos Limões, área de baixa circulação de água. Especialistas alertam que o despejo pode alterar a salinidade, favorecer florações tóxicas e comprometer a produção de ostras, responsável por 60% da safra local, segundo dados do G1.

“A Casan deve apresentar uma proposta alternativa, não simplesmente pedir a continuidade da obra, já que a decisão liminar é clara sobre a ilegalidade”, cita a sentença da 6ª Vara Federal de Florianópolis (maio de 2025).

Contexto nacional e impacto econômico

Florianópolis trata apenas 68 % do esgoto; o Marco Legal do Saneamento exige 90 % até 2033. Ainda assim, o emissário pode gerar prejuízo bilionário: a rota gastronômica do sul da ilha – fundada na maricultura dos anos 1990 – atrai turistas e sustenta centenas de famílias. Hormônios e metais pesados, pouco removidos por estações terciárias, podem interditar a colheita de ostras por tempo indeterminado, repetindo episódios já vistos em outras baías brasileiras.

O que você acha? Florianópolis deve priorizar novos estudos antes de liberar o emissário? Para mais análises sobre meio ambiente, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Raphael Sanz

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