Fim da escala 6×1 pode encarecer folha de pequenos negócios

Deivid Jorge Benetti
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Custos podem subir dois dígitos e abrir brecha para mais informalidade

Governo Federal – A campanha que defende o fim da escala 6×1 enfrenta forte contraponto de associações empresariais, que alertam para um salto nos custos trabalhistas justamente onde o emprego é mais frágil: micro e pequenas empresas.

  • Em resumo: estudo aponta aumento de até 17,5% na folha salarial de negócios de menor porte.

Entidades projetam salto de até 17% na folha

Cálculos da Confederação Nacional do Comércio e da CNI indicam que a adoção de uma jornada de 40 h semanais elevaria o desembolso com salários e encargos em até 12,7% no comércio e 13% na indústria de pequeno porte. Em cenários mais rigorosos, o acréscimo chega a 17,57% – percentual suficiente para comprimir margens já estreitas, segundo os representantes do setor.

“Apenas pequenas e médias empresas respondem por 80% das carteiras assinadas. Elas não têm estrutura para absorver essa redução”, alerta Ricardo Calcini, professor de Direito do Trabalho no Insper.

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas acrescenta que o repasse desses custos tende a pressionar preços num momento em que o Banco Central ainda combate a inflação. Para piorar, empresários teriam de bancar treinamento e rotatividade de eventuais “folguistas”, modelo citado pelo Palácio do Planalto como solução de escala.

Renda estável limita a aposta em consumo maior

Outro pilar da peça publicitária oficial –o de que mais tempo livre geraria expansão do consumo– também é questionado. O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, lembra que 80,4% dos lares já convivem com algum tipo de dívida, enquanto a taxa de endividamento das famílias chegou a 49,9% do PIB. Sem incremento real de renda, argumenta, o tempo extra pode não virar compras, mas sim inflação.

Países que testaram redução de jornada, como Espanha e Islândia, associaram o ganho de bem-estar a ganhos de produtividade, não apenas à redistribuição de horas. Essa transição “custa caro e exige inovação”, aponta relatório recente citado pela Reuters.

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Crédito da imagem: Divulgação / Poder360

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CEO e fundador com atuação em Porto Alegre e região metropolitana. Comunicador e produtor de conteúdo jornalístico, lidera a criação de reportagens, coberturas ao vivo e projetos multimídia voltados à informação local, com presença ativa nas redes sociais e plataformas digitais. À frente do MPV, desenvolve um trabalho independente focado em dar visibilidade a temas de interesse público, aproximando a comunidade das notícias do dia a dia com linguagem acessível e dinâmica. Seu trabalho se destaca pela agilidade na apuração, proximidade com o público e compromisso com a informação. .