IA em estilo Lego vira arma de propaganda do Irã na guerra

Fernanda Soares Sassi
3 Leitura mínima

Tecnologia lúdica transformada em munição geopolítica digital

Explosive Media — principal conta por trás dos clipes em estética Lego — intensificou, recentemente, a difusão de mensagens pró-Teerã que circulam livremente até mesmo em transmissões comentadas pela Band.

  • Em resumo: Animações Lego geradas por IA atingem centenas de milhões de visualizações ao retratar vitória iraniana sobre os EUA.

De memes a “diplomacia sem filtro”

Com equipes de menos de dez pessoas, o grupo afirma usar o estilo Lego por ser “linguagem universal”. A estratégia, segundo analistas, se alinha ao conceito de “guerra memética defensiva”: inundar feeds ocidentais com narrativas alternativas que desafiam versões oficiais dos fatos. Em entrevista à BBC, o operador conhecido como “Sr. Explosive” admitiu que o governo iraniano é cliente da operação, rompendo a postura de independência que mantinha até então. Especialistas ouvidos pela BBC alertam que o formato simples, somado ao ritmo acelerado dos vídeos, aumenta a retenção de público e facilita o compartilhamento.

“As animações eliminam intermediários e transformam TikTok e X em canais diretos de política externa”, afirma Emma Briant, pesquisadora de propaganda digital.

IA como acelerador de desinformação global

De acordo com relatórios da Nottingham Trent University, ferramentas generativas alimentadas por datasets ocidentais absorvem referências culturais e produzem conteúdo altamente persuasivo para esse público. O fenômeno não é isolado: Rússia e China já testam modelos semelhantes desde 2024 para influenciar narrativas sobre Ucrânia e Taiwan. A difusão veloz desses clipes pressiona redes sociais a reverem políticas de moderação, mas novas contas ressurgem quase no mesmo instante em que as antigas são derrubadas.

O ciclo cria um ambiente em que alegações sem prova — como a captura de piloto norte-americano ou teorias sobre arquivos Epstein — ganham verniz de “fato visual”. Para a pesquisadora Tine Munk, o risco é duplo: mal-entendidos internacionais e escalada de conflitos, numa era em que 70% do consumo de notícia móvel já ocorre via recomendações algorítmicas.

O que você acha? As big techs deveriam restringir animações políticas geradas por IA? Para mais análises sobre conflitos e tecnologia, visite nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Explosive Media

Compartilhe este artigo
Fernanda Soares Sassi é colaboradora do Mostrando pra Você, com foco em tecnologia, inovação e tendências digitais. Atua na produção de conteúdos sobre novidades do setor tecnológico, redes sociais, inteligência artificial e impacto da tecnologia no cotidiano. Seu trabalho busca apresentar informações de forma clara e atualizada, ajudando o leitor a entender as transformações digitais e como elas influenciam a vida moderna.