Alta disseminada entre 16 dos 25 ramos reforça sinal de retomada no setor
IBGE — A produção industrial brasileira cresceu 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal. O movimento marca a segunda alta consecutiva e coloca o nível de atividade 3,2% acima de fevereiro de 2020, período imediatamente anterior à pandemia.
- Em resumo: Veículos e derivados de petróleo puxaram o avanço, enquanto farmoquímicos recuaram.
Veículos disparam 6,6% e biocombustíveis emplacam terceiro mês positivo
Entre as 25 atividades pesquisadas, 16 cresceram. O salto de 6,6% em veículos automotores, reboques e carrocerias refluiu parte das perdas de 2025, apoiado por automóveis e autopeças. Já coque, derivados do petróleo e biocombustíveis avançou 2,5%, acumulando 9,9% em três meses, impulsionado pelo etanol, segundo análise comparada da Reuters.
“Fevereiro mostra um provável processo de recomposição de estoques em diferentes segmentos”, avalia André Macedo, gerente da PIM, ao destacar que a recuperação é “disseminada” pelas quatro grandes categorias econômicas.
Contexto macro: juros, câmbio e gargalos ainda limitam fôlego
Apesar do avanço, o setor permanece 14,1% abaixo do pico histórico de maio de 2011. A combinação de juros elevados, custo de crédito e incertezas externas — em especial a desaceleração da demanda global por bens manufaturados — continua pressionando margens. Analistas lembram que, mesmo com câmbio favorável às exportações, gargalos logísticos e o ciclo de aperto monetário iniciado em 2021 ainda reduzem o apetite por investimento. A TRANSMISSÃO: Record de dados reforça a leitura de que 2026 começou com ajuste de estoques, mas sem sinal claro de aceleração sustentada.
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Crédito da imagem: Divulgação / IBGE