Ação reforça linha dura de Teerã em meio a cessar-fogo frágil com Israel
Irã – Na última terça-feira (21), o Poder Judiciário iraniano executou por enforcamento Amir Ali Mirjafari, condenado por incendiar a Grande Mesquita de Gholhak, em Teerã, e por supostamente colaborar com serviços de inteligência de Israel e dos Estados Unidos durante a recente onda de protestos.
- Em resumo: Mirjafari foi apontado como “líder de ações contrárias à segurança” e ligado ao Mossad.
- Caso ocorre enquanto vigora um cessar-fogo de duas semanas na guerra Irã-Israel-EUA.
Acusações incluem elo direto com Mossad e Washington
Segundo o portal oficial Mizan Online, o réu “tentou incendiar instalações públicas” a mando do “regime sionista”. A Suprema Corte confirmou a pena capital, ignorando apelos internacionais. Matérias da Reuters lembram que Teerã costuma enquadrar opositores sob a mesma tipificação de “guerra contra Deus”, cuja sentença é a morte.
“Amir Ali Mirjafari (…), um dos elementos armados que colaboravam com o inimigo, foi enforcado esta manhã”, divulgou o Judiciário.
Repressão ganha ritmo: mais de 20 execuções ligadas aos protestos
Desde a explosão dos atos contra o aumento do custo de vida, em dezembro, organizações de direitos humanos calculam que pelo menos 20 manifestantes já foram executados e centenas permanecem no corredor da morte. A Anistia Internacional denuncia julgamentos sumários e confissões extraídas sob tortura, prática refutada por Teerã.
Especialistas veem na execução de ontem um recado interno, dada a proximidade do fim do cessar-fogo, previsto para 8 de abril. Analistas recordam que medidas similares ocorreram após as manifestações de 2009 e 2019, quando o governo buscava conter nova mobilização de rua.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters