Sistema de pagamentos vira novo ponto de tensão comercial Brasil-EUA
Lula reagiu nesta quinta-feira (2) à inclusão do Pix como “barreira” a empresas de cartões em relatório do governo dos Estados Unidos, assegurando que o modelo brasileiro não muda “por pressão de ninguém”.
- Em resumo: Presidente afirma que eventual recuo no Pix está fora de cogitação, apesar de críticas de Washington.
EUA veem “vantagem indevida”; Brasília fala em inclusão financeira
O documento, produzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), alega que o Banco Central concede tratamento preferencial ao Pix, afetando Visa e Mastercard. Para Lula, a queixa desconsidera que mais de 160 milhões de brasileiros já usam o sistema sem tarifa e em tempo real.
“O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele presta à sociedade”, declarou o presidente no Palácio do Planalto.
Por que o Pix incomoda tanto o mercado internacional?
Lançado em 2020, o mecanismo já movimenta perto de R$ 17 trilhões anuais, segundo o Banco Central, e reduziu drasticamente o uso de dinheiro físico e tarifas bancárias. Especialistas destacam que, quanto maior a adoção de um serviço público gratuito, menor o espaço para taxas cobradas por operadoras estrangeiras — daí a pressão descrita no relatório.
Nos bastidores, fontes do setor lembram que a União Europeia estuda modelo parecido, enquanto o México avança no CoDi, sinal de que pagamentos instantâneos tendem a se tornar padrão global. Caso os EUA busquem barreiras comerciais, analistas preveem disputa diplomática longa, já que o Brasil usa o Pix como vitrine de inovação financeira em foros como o G20.
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Crédito da imagem: Divulgação / Planalto