Ausência alimenta tensão entre Paris e a plataforma de rede social
Elon Musk não apareceu nesta segunda-feira, 20 de abril, à convocação da Promotoria de Paris que investiga se o algoritmo do X interferiu na política francesa e facilitou a divulgação de pornografia infantil.
- Em resumo: Mesmo sem Musk, o Ministério Público garante que a apuração segue sem obstáculos.
Promotores avançam apesar do silêncio de Musk e Yaccarino
A ausência do bilionário e da ex-diretora-geral Linda Yaccarino foi descrita como “registrada” pelo órgão francês, que já havia vasculhado os escritórios do X em fevereiro. De acordo com informações da Reuters, investigadores querem rastrear possíveis manipulações de conteúdo político e a cumplicidade na circulação de material ilegal.
“A falta dos principais convocados não impede a continuidade das diligências”, reiterou a Promotoria de Paris no comunicado oficial.
Grok no centro da pressão global sobre conteúdo ilegal
O assistente de IA Grok, integrado à plataforma, é apontado por gerar cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas em apenas 11 dias, segundo o Centro de Combate ao Ódio Online. A União Europeia também abriu procedimento contra o X após alertas de que o recurso estaria sendo usado para criar deepfakes e teorias conspiratórias sem filtros, em possível violação ao Digital Services Act – legislação que impõe deveres de moderação a grandes plataformas.
Especialistas lembram que França, Alemanha e Irlanda vêm ampliando a cooperação em casos que cruzam IA, desinformação e abuso infantil. A pressão reforça o receio de executivos do setor: sem padrões internacionais claros, gigantes de tecnologia podem enfrentar multas bilionárias e até bloqueios regionais, cenário que já preocupa investidores.
Apoio de Durov amplia debate sobre liberdade de expressão
Pavel Durov, cofundador do Telegram e alvo de investigação semelhante, classificou as ações francesas como “arma política” contra a privacidade. O alinhamento entre dois dos empresários mais influentes da tecnologia adiciona combustível ao embate entre plataformas globais e governos que cobram responsabilidade sobre o conteúdo.
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Crédito da imagem: AP Photo/Markus Schreiber