PF reage e corta acesso de agente dos EUA após retaliação

Deivid Jorge Benetti
3 Leitura mínima

Retaliação escancara tensão diplomática na cooperação policial

Polícia Federal – Na última quarta-feira (22), o diretor-geral Andrei Rodrigues cancelou as credenciais de um oficial de imigração dos Estados Unidos que atuava dentro dos sistemas da corporação, aplicando o princípio da reciprocidade depois que Washington suspendeu o acesso do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho.

  • Em resumo: Brasil retira no ato o acesso de agente americano após os EUA afastarem delegado da PF que servia em Miami.

Reciprocidade imediata após barrar delegado brasileiro

Rodrigues afirmou que adotou a medida porque Carvalho, oficial de ligação da PF junto ao ICE, teve seu crachá bloqueado ao chegar para trabalhar nos EUA. O Departamento de Estado alegou, em nota pública, que “nenhum estrangeiro tem o direito de manipular nosso sistema de imigração”, conforme reportado pela G1.

“Solicitamos que a autoridade brasileira deixe o nosso país por tentar contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”, declarou o governo norte-americano.

O que está em jogo para Brasília e Washington

A troca de retaliações ocorre em meio a uma cooperação policial de quase 40 anos, fundamental para operações conjuntas de combate ao narcotráfico e ao tráfico de pessoas. Dados do Departamento de Justiça apontam que, apenas em 2023, missões mistas Brasil-EUA resultaram em mais de 120 prisões transnacionais. Interromper o compartilhamento de sistemas pode atrasar investigações em curso e reduzir o fluxo de inteligência em tempo real.

No Congresso, a oposição aproveitou o episódio: o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) protocolou pedido de destituição do ministro da Justiça, Wellington Dias, alegando que a crise compromete “a credibilidade internacional do Brasil”. O Itamaraty, por sua vez, convocou diplomatas norte-americanos e classificou a ação dos EUA como “decisão sumária” que fere o memorando bilateral de 2013.

Historicamente, impasses semelhantes foram resolvidos com missões técnicas e consultas de alto nível, evitando escaladas. Especialistas em direito internacional lembram que a reciprocidade é legítima, mas recomenda-se manter canais abertos para que o episódio não afete acordos de extradição ou vistos de trabalho, como ocorreu em 2002 no chamado “escândalo dos digitais”.

O que você acha? A reação da PF foi proporcional ou pode agravar as relações com os EUA? Para acompanhar a cobertura completa sobre política e diplomacia, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Jovem Pan

Compartilhe este artigo
CEO e fundador com atuação em Porto Alegre e região metropolitana. Comunicador e produtor de conteúdo jornalístico, lidera a criação de reportagens, coberturas ao vivo e projetos multimídia voltados à informação local, com presença ativa nas redes sociais e plataformas digitais. À frente do MPV, desenvolve um trabalho independente focado em dar visibilidade a temas de interesse público, aproximando a comunidade das notícias do dia a dia com linguagem acessível e dinâmica. Seu trabalho se destaca pela agilidade na apuração, proximidade com o público e compromisso com a informação. .