Rafael Lopez Aliaga exige anular eleição peruana e reacende crise

ELIANE RIBAS SCHEMELER
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Pedido sem provas pressiona autoridades e pode polarizar ainda mais o país

Rafael Lopez Aliaga – em pronunciamento nesta quarta-feira (15/4/2026), o empresário e candidato conservador pediu que o órgão eleitoral peruano declare “nulo e sem efeito” o resultado do pleito de domingo, alegando fraude mas sem apresentar evidências concretas.

  • Em resumo: Aliaga quer que uma nova votação seja marcada imediatamente, alegando “irregularidades generalizadas”.

Acusações sem provas elevam a tensão política

O discurso de Aliaga ocorre apenas três dias após a votação e ecoa estratégias vistas em outros países da região. Segundo apuração da Reuters, missões de observadores internacionais classificaram o processo eleitoral como “regular” e não relataram fraudes sistêmicas.

“Este processo não reflete a vontade popular; precisamos proteger a democracia com um novo escrutínio”, disse Aliaga, em coletiva em Lima.

Histórico de disputas eleitorais no Peru

Crises pós-eleitorais não são novidade para o país. Em 2021, a candidatura de Keiko Fujimori também contestou resultados, prolongando a oficialização do presidente por semanas. Analistas lembram que o Peru passou por seis presidentes em apenas oito anos, cenário que fragiliza instituições e afasta investimentos. Caso o pedido de Aliaga ganhe força, o congresso – já fragmentado – pode enfrentar novo impasse entre bancadas de direita e movimentos populares que apoiam a contagem oficial.

No campo econômico, um atraso na confirmação do vencedor tende a pressionar a cotação do sol peruano e afetar projetos de mineração, responsáveis por quase 10% do PIB do país, de acordo com dados do Banco Central. Especialistas ouvidos pela Universidade del Pacífico veem risco de paralisação de reformas fiscais se a instabilidade se prolongar.

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Crédito da imagem: Divulgação / Al Jazeera




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