Ofensas de empresário ligado a Trump acendem alerta diplomático no Senado
Nelsinho Trad – O senador protocolou recentemente um requerimento pedindo que o Congresso declare o italiano-estadunidense Paolo Zampolli, aliado de Donald Trump, “persona non grata” no Brasil, após o empresário ter chamado as brasileiras de “prostitutas” e de “raça maldita” em entrevista.
- Em resumo: Parlamentar quer sinal político firme do Itamaraty contra as declarações xenófobas de Zampolli.
O que desencadeou a medida
Zampolli, ex-embaixador da Dominica na ONU e figura próxima da família Trump, concedeu entrevista a um podcast norte-americano na qual utilizou termos ofensivos para se referir às mulheres do país. A repercussão chegou rapidamente a Brasília e, segundo relato da CNN Brasil, mobilizou senadores de diferentes bancadas.
“É inaceitável que um estrangeiro desrespeite nosso povo dessa maneira”, justificou Trad no documento encaminhado à Mesa Diretora do Senado.
Por que a declaração de persona non grata importa
No direito internacional, o status de persona non grata é o passo formal mais duro antes da expulsão, previsto na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Caso o plenário aprove o pedido, o Itamaraty poderá restringir a entrada de Zampolli em eventos oficiais ou até cancelar vistos futuros – procedimento semelhante ao adotado em 2013 contra diplomatas bolivianos em retaliação a críticas internas.
Analistas apontam que a reação do Senado quer demarcar posição num momento em que o governo Lula tenta reconstruir pontes com Washington. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, mais de 20 manifestações de repúdio a declarações xenófobas foram registradas na última década, mas poucas resultaram em sanções efetivas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Senado