Mudança na cadência dos oceanos ameaça extremos climáticos globais
El Niño — fenômeno oceânico que altera chuvas e temperaturas no planeta — volta ao centro do debate científico após indícios de que, ainda neste ano, poderá surgir na forma de um Super El Niño, tão intenso quanto os episódios recordes de 1997-98 e 2015-16.
- Em resumo: Modelos climáticos sinalizam aquecimento anormal do Pacífico, levantando a hipótese de que eventos extremos deixem de ser raros.
Modelagens recentes acendem alerta global
Projeções de centros meteorológicos dos Estados Unidos, Japão e Austrália convergem para o mesmo ponto: uma anomalia de temperatura acima de 2 °C na faixa equatorial do Pacífico até o fim do ano. Em entrevista coletada pela BBC News, especialistas descrevem o cenário como “pré-condição perfeita” para um Super El Niño.
“O padrão que estamos observando é muito parecido com 2015, porém iniciado mais cedo e com sinais de ser ainda mais energético”, destacou Kim Cobb, climatologista da Universidade Brown.
O que muda na prática para Brasil e mundo
No Brasil, episódios anteriores trouxeram estiagem severa ao Norte, excesso de chuva no Sul e picos de calor histórico. Globalmente, 2016 ainda carrega o título de ano mais quente já registrado, consequência direta do último Super El Niño. Caso a frequência desses eventos aumente, a agricultura, o mercado de energia e a infraestrutura urbana terão de se preparar para oscilações climáticas mais abruptas.
Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas apontam que o aquecimento global tende a intensificar a variabilidade natural dos oceanos, ampliando a chance de Super El Niños em intervalos menores que as habituais duas ou três décadas.
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Crédito da imagem: Divulgação / MetSul