Apreensões de navios por EUA e Irã afrontam a lei, diz Câmara Marítima

ELIANE RIBAS SCHEMELER
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Entidade global exige ação rápida para evitar crise no comércio marítimo

International Chamber of Shipping (ICS) – Em nota divulgada em 25 de abril de 2026, a entidade que representa mais de 80% da frota mercante mundial denunciou que as recentes apreensões de embarcações pelos Estados Unidos e pelo Irã violam convenções marítimas e colocam em risco a tripulação e a estabilidade das rotas comerciais.

  • Em resumo: ICS cobra a libertação imediata dos marinheiros detidos e alerta para precedente perigoso no direito internacional.

Pressão diplomática cresce no Golfo Pérsico

A advertência surge no momento em que Washington e Teerã protagonizam uma escalada de ações recíprocas contra petroleiros, aprofundando tensões na rota que responde por um quinto do petróleo mundial. De acordo com dados citados pela Reuters, ao menos três navios foram retidos nos últimos meses em operações justificadas, respectivamente, por sanções econômicas e supostas violações ambientais.

“Ambos os governos devem libertar as tripulações sem demora; nada justifica o uso de trabalhadores do mar como moeda de troca”, afirmou Guy Platten, diretor da ICS.

Impacto econômico e riscos jurídicos

Especialistas lembram que episódios semelhantes de retenção no Estreito de Ormuz em 2019 fizeram o custo do seguro marítimo disparar até 10%. Agora, operadores temem nova alta, enquanto armadores reavaliam rotas alternativas mais longas e caras pelo Cabo da Boa Esperança.

Além da pressão financeira, a ICS ressalta que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar garante “liberdade de navegação” a embarcações comerciais, salvo em casos de pirataria ou ameaça ambiental comprovada. A manutenção das tripulações sob custódia pode abrir caminho para processos em tribunais internacionais e agravar o isolamento diplomático de ambos os países.

O que você acha? A retenção de navios deveria ser levada ao Conselho de Segurança da ONU ou resolvida bilateralmente? Para mais análises geopolíticas, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

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