20/03/2025: Governo Lula ameaça suspender bancos por juro abusivo

Deivid Jorge Benetti
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Taxa-limite segue oculta, mas risco de punição já preocupa bancos

Governo Lula aprovou resolução que autoriza suspender – ou até descredenciar – instituições que cobrarem juro considerado abusivo no crédito consignado da iniciativa privada.

  • Em resumo: bancos que superarem a “média + desvio padrão” trimestral podem ser suspensos; fórmula detalhada não foi divulgada.
  • Ministério do Trabalho evita informar a taxa exata alegando “dados sigilosos”.

Como o “juro abusivo” será calculado

Pelo texto oficial, a fronteira entre taxa aceitável e abusiva somará a média ponderada do trimestre ao desvio padrão, ajustados por um fator multiplicador definido pelo Ministério do Trabalho. Questionado, o órgão não abriu a metodologia nem os percentuais, prática que contrasta com padrões de transparência defendidos por especialistas e entidades do setor, de acordo com reportagem recente da Reuters.

“Será considerada prática abusiva a aplicação de taxas de juros que excedam a soma da taxa média ponderada do período com o seu desvio padrão ponderado, ajustado por fator multiplicador”, determina a resolução publicada no Diário Oficial.

Por que a medida sacode o mercado de crédito

Apesar de a taxa média do consignado privado ter fechado março em 56,77% ao ano, há ofertas acima de 100% – patamar que o governo quer derrubar. A suspensão temporária de bancos pode reduzir opções, mas também forçar cortes nas tabelas de juros.

Historicamente, linhas atreladas a folha de pagamento no setor público e no INSS operam em torno de 26% ao ano graças à garantia do salário. Já o Crédito do Trabalhador, lançado em 2024, nunca conseguiu replicar essas taxas porque a regra que permite usar FGTS como colateral ainda não saiu do papel. A nova resolução busca tapar esse vácuo regulatório enquanto a prometida regulamentação do FGTS não chega.

Analistas ouvidos pelo mercado alertam: sem transparência, bancos podem paralisar temporariamente o produto, elevando a procura por modalidades mais caras como o rotativo do cartão. Por outro lado, entidades de defesa do consumidor veem a iniciativa como avanço contra práticas predatórias.

O que você pensa sobre o controle de juros no consignado? Deixe sua opinião e acompanhe outros desdobramentos em nossa editoria de Política.






Crédito da imagem: Divulgação / Poder360

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CEO e fundador com atuação em Porto Alegre e região metropolitana. Comunicador e produtor de conteúdo jornalístico, lidera a criação de reportagens, coberturas ao vivo e projetos multimídia voltados à informação local, com presença ativa nas redes sociais e plataformas digitais. À frente do MPV, desenvolve um trabalho independente focado em dar visibilidade a temas de interesse público, aproximando a comunidade das notícias do dia a dia com linguagem acessível e dinâmica. Seu trabalho se destaca pela agilidade na apuração, proximidade com o público e compromisso com a informação. .