Investigação aponta execução de delator do PCC e dois mecânicos em chácara de Goiás
Ministério Público de Goiás (MP-GO) – O órgão denunciou o tenente-coronel Edson Luis Souza Melo, conhecido nas redes como Coronel Raiado, e o major Renyson Castanheira Silva por homicídio qualificado após, segundo a acusação, forjarem um tiroteio para executar o piloto delator do PCC Felipe Ramos Morais e dois mecânicos em 17 de fevereiro de 2023.
- Em resumo: laudos periciais concluíram que as vítimas foram baleadas pelas costas e já rendidas.
Perícia desmonta versão de “confronto” apresentada pelos policiais
De acordo com o Gaesp, as armas encontradas com as vítimas estavam intactas, contrastando com os 15 disparos efetuados pelos oficiais. Os peritos ainda localizaram marcas de arrasto nos corpos, indício de que a cena foi rearranjada para sustentar a narrativa de troca de tiros. Casos semelhantes de adulteração de local de crime vêm sendo alvo de discussões nacionais sobre controle externo da atividade policial, tema abordado em reportagem recente da BBC News Brasil.
“Eles dispararam quando os alvos já estavam no chão, sem oferecer risco”, descreve trecho da denúncia encaminhada à 4ª Vara Criminal de Goiânia.
Influência digital, salário de R$ 33 mil e ligação com Pablo Marçal ampliam repercussão
Com mais de 600 mil seguidores, Raiado transformou a imagem de “caçador de criminosos” – consagrada na operação que resultou na morte de Lázaro Barbosa em 2021 – em capital político. Mesmo licenciado da PM-GO em 2024 para atuar na segurança do coach e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal, ele manteve remuneração integral de R$ 33 mil. Especialistas observam que militares da ativa envolvidos em atividades políticas podem ferir princípios de isenção previstos no Estatuto da PM.
O piloto assassinado havia firmado delação com a Polícia Federal em 2020 que já bloqueou cerca de R$ 1 bilhão do PCC. Segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cooperações de delatores têm acelerado grandes apreensões, aumentando o risco de retaliações dentro e fora dos presídios.
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Crédito da imagem: Divulgação / MP-GO