Custos podem subir dois dígitos e abrir brecha para mais informalidade
Governo Federal – A campanha que defende o fim da escala 6×1 enfrenta forte contraponto de associações empresariais, que alertam para um salto nos custos trabalhistas justamente onde o emprego é mais frágil: micro e pequenas empresas.
- Em resumo: estudo aponta aumento de até 17,5% na folha salarial de negócios de menor porte.
Entidades projetam salto de até 17% na folha
Cálculos da Confederação Nacional do Comércio e da CNI indicam que a adoção de uma jornada de 40 h semanais elevaria o desembolso com salários e encargos em até 12,7% no comércio e 13% na indústria de pequeno porte. Em cenários mais rigorosos, o acréscimo chega a 17,57% – percentual suficiente para comprimir margens já estreitas, segundo os representantes do setor.
“Apenas pequenas e médias empresas respondem por 80% das carteiras assinadas. Elas não têm estrutura para absorver essa redução”, alerta Ricardo Calcini, professor de Direito do Trabalho no Insper.
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas acrescenta que o repasse desses custos tende a pressionar preços num momento em que o Banco Central ainda combate a inflação. Para piorar, empresários teriam de bancar treinamento e rotatividade de eventuais “folguistas”, modelo citado pelo Palácio do Planalto como solução de escala.
Renda estável limita a aposta em consumo maior
Outro pilar da peça publicitária oficial –o de que mais tempo livre geraria expansão do consumo– também é questionado. O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, lembra que 80,4% dos lares já convivem com algum tipo de dívida, enquanto a taxa de endividamento das famílias chegou a 49,9% do PIB. Sem incremento real de renda, argumenta, o tempo extra pode não virar compras, mas sim inflação.
Países que testaram redução de jornada, como Espanha e Islândia, associaram o ganho de bem-estar a ganhos de produtividade, não apenas à redistribuição de horas. Essa transição “custa caro e exige inovação”, aponta relatório recente citado pela Reuters.
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Crédito da imagem: Divulgação / Poder360